É u
m filme super sensível, sem grandes polêmicas apesar da dupla polêmica: homossexualismo e incesto. Alias, foi o que mais gostei no filme, a polêmica não é “apresentada”. Não existe um diálogo específico pra tratar do assunto, pra problematizar a relação. Não existe isso. Ao mesmo tempo ninguém finge que não vê. Os pais percebem. E comentam. Mas não criam uma questão, um dilema, nada. É só uma história de amor entre dois meninos, depois homens que, por acaso, são irmãos. O amor dos pais também é mostrado de uma maneira muito bacana e verdadeira, o clima da casa deles é esse. Os atores são todos ótimos: as crianças, os meninos adultos, os pais, o pai argentino, a amiga da mãe, todos. A fotografia é linda, as cenas de nudez dos dois são bonitas e sutis, não há como lembrar que são irmãos. E ao mesmo tempo isso não é esquecido no roteiro.O filme faz a gente parar pra pensar nessa questão de incesto. Obviamente ainda há muito que avançar na questão do homossexualismo. Mas o que o filme traz com a perspectiva dos irmãos, do tabu do incesto, acaba deixando a questão de serem dois homens um pouco em segundo plano. E isso é uma coisa legal do filme, pq ele está lá na frente, falando de algo que ainda não é nem cogitado, mas mantendo a questão atual, do amor entre iguais. Eu não sei direito qual tem sido o público desse filme, na sessão em que eu fui tinham muitos homens, muitos. Os atores do filme são lindos e talvez isso tenha atraído muito gente. Dava pra ver homens e mulheres super empolgados com isso. Mas eu espero que todo mundo que foi ver, pare mesmo pra pensar nessa questão do incesto. O que há de errado? Quando foi inventado? O único problema é evitar ter filhos? Vale à pena a discussão, repensar certas questões que nos foram passadas como convicções.





